Foto: Cris Cortilio

Foto: Cris Cortilio

– Solo(s) para um coletivo –

 

Essa insurgência da cena emerge de nosso próprio processo, como emergência de anseios. A tensão indivíduo coletivo muitas vezes resulta de uma outra, aquela entre realidade e “ideias”: trata-se de fazer valer cada individualidade como um momento deste coletivo, de modo a evidenciar no coro essas fisionomias. Esse foi o movimento de nosso projeto anterior, Corifeus: deixar que do coro emergissem as individualidades que ao mesmo tempo o antecedem, compõem e excedem.

Com isso, tal insurgência não responde “somente” ao impulso de um teatro político, que nos move na direção de temas e materiais. Ela é, também, a forma deste

Tradicionalmente, o teatro político é uma interrogação sobre a verdade, sobre as condições para se dizer a verdade – “o contrário da verdade é o silêncio”. Todavia, já Brecht se interrogava sobre o que faz mentir ou o que seria o contrário da verdade.

Como individualidades artísticas acabam por definir a fisionomia de umcoletivo? Do encontro entre artistas até o aprofundamento de uma investigação poética, um grupo vive uma diversidade de processos cuja continuidade de um momento a outro depende antes de mais nada da potência desse encontro e das escolhas que o radicalizam. Os solo(s) que compõem esse programa se apresentam como depoimentos acerca dessas escolhas, tentativa de fazer ver o solo onde se enraízam. Uma pergunta comum: por que e quando se mente?

 

Em cena, um ator conversa com o público sobre o espetáculo que ele teria acabado de apresentar. Em meio às cogitações sobre a cena, um espetáculo se esboça. O material do qual parte o trabalho compreende a adaptação de um dispositivo performativo (Générique), materiais da última entrevista concedida por Pasolini, horas antes de seu assassinato, alguns artigos e poemas em que o autor discute aspectos da modernização da sociedade italiana e sua chave conservadora ou mesmo reacionária (aquilo que ele chama o “novo fascismo”) e o filme “Notas para uma Oresteia Africana”. Materiais confrontados na tentativa de lançar um olhar sobre o momento atual da sociedade brasileira.

 

Concepção e atuação

José Fernando de Azevedo

 

Apoio Teórico

Alex Calheiros

 

Dramaturgia e Direção Compartilhadas

Tarina Quelho

Renan Tenca Trindade 

José Fernando de Azevedo

ESTAMOS TODOS EM PERIGO

Trecho de NOTAS PARA UMA ORESTEIA AFRICANA, de Pier Paolo Pasolini.