– Solo(s) para um coletivo –

 

Essa insurgência da cena emerge de nosso próprio processo, como emergência de anseios. A tensão indivíduo coletivo muitas vezes resulta de uma outra, aquela entre realidade e “ideias”: trata-se de fazer valer cada individualidade como um momento deste coletivo, de modo a evidenciar no coro essas fisionomias. Esse foi o movimento de nosso projeto anterior, Corifeus: deixar que do coro emergissem as individualidades que ao mesmo tempo o antecedem, compõem e excedem.

Com isso, tal insurgência não responde “somente” ao impulso de um teatro político, que nos move na direção de temas e materiais. Ela é, também, a forma deste

Tradicionalmente, o teatro político é uma interrogação sobre a verdade, sobre as condições para se dizer a verdade – “o contrário da verdade é o silêncio”. Todavia, já Brecht se interrogava sobre o que faz mentir ou o que seria o contrário da verdade.

Como individualidades artísticas acabam por definir a fisionomia de umcoletivo? Do encontro entre artistas até o aprofundamento de uma investigação poética, um grupo vive uma diversidade de processos cuja continuidade de um momento a outro depende antes de mais nada da potência desse encontro e das escolhas que o radicalizam. Os solo(s) que compõem esse programa se apresentam como depoimentos acerca dessas escolhas, tentativa de fazer ver o solo onde se enraízam. Uma pergunta comum: por que e quando se mente?

 

De um lado, Neoptólemo, o jovem guerreiro grego, filho de Aquiles, convocado a mentir para conquistar a vitória de seu país na guerra; de outro, um jovem se pergunta a respeito dos modelos de heroísmo e vitória no mundo contemporâneo e os limites da verdade na democracia. Por que e quando é necessário mentir?

 

Concepção e Atuação

Renan Tenca Trindade

 

Direção e Dramaturgia

José Fernando de Azevedo

 

Assistência de Direção

Melissa Campagnoli

 

Direção Musical e Música em Cena

Helio Flanders

A GUERRA NÃO TEM ENSAIO